“… DÁ VONTADE DE CORRER POR ELE”.

16 novembro, 2009 as 16:46 Categoria Brasileirão+ Futebol Nacional

O ambiente futebolístico nesses dias conturbados que atravessa a humanidade, não anda muito afeito a gestos de generosidade, delicadeza, sinceridade, honestidade, humildade, simplicidade.

O que temos visto são atitudes arrogantes, violentas, ignorantes, imbecis, dentro e fora dos gramados. Alguns jogos se transformam em verdadeiras batalhas campais.

A maioria dos treinadores, no afã de se garantir no emprego pelo maior tempo possível, perdeu por completo o respeito pelos companheiros de profissão e pelos jogadores adversários. Os árbitros são de uma incompetência a toda prova e só contribuem para o alto nível de stress que tomou conta do futebol brasileiro.

Acompanhar o estilo como Andrade vem conduzindo o Flamengo nessa arrancada rumo a um título que não conquista há 17 anos, nos faz crer que ainda existe lugar para sentimentos bons num meio tão corrompido.

Parece irônico e contraditório com a idéia desse comentário, mas as vezes Andrade é tão humilde que me irrita. É tão tranqüilo na beira do gramado, que me dá vontade de entrar lá e lhe aplicar uns “safanões”. Mas ele é assim, fazer o quê?! Não lembra Carlinhos, treinador na conquista do último título de Campeão Brasileiro em 1992?

Não vou entrar em discussão sobre as suas qualidade como treinador. No jogo de ontem, por exemplo, eu não gostei nem um pouco daquela idéia de escalar Ronaldo Angelim na lateral esquerda. Foi uma temeridade. O zagueiro não tem mais gás para marcar e atacar constantemente naquele setor do campo. Felizmente o Flamengo ganhou, segue na briga pelo título e o time vem jogando bem e bonito. Todos os méritos para ele. Se vai ser campeão ou não é outra questão, já que não depende apenas dos seus resultados. Que os jogadores em campo estão dando o máximo e correndo como há muito não se via no Flamengo, isso é inquestionável.

As palavras de Adriano – jogador de fama mundial, ídolo na Itália e no Brasil, que já trabalhou com treinadores renomados – que encerraram a entrevista logo após o jogo de ontem contra o Náutico, são exemplares sobre o caráter e a forma de trabalhar de Andrade:

“… DÁ VONTADE DE CORRER POR ELE”.

Não precisa dizer mais nada.

Por tulio 3 comentários

PETKOVIC: ARTE E HUMILDADE

16 outubro, 2009 as 14:42 Categoria Brasileirão+ Futebol Nacional+ Opiniões

Nunca um jogador foi vítima de tanta desconfiança, quanto Petkovic nesse seu retorno ao Flamengo, através de um acordo trabalhista pra lá de esquisito, que é melhor nem tentar explicar.

O regresso do craque ao clube onde brilhou e virou ídolo no início da década, ao invés de ser festejado provocou reações das mais diversas em meio às hostes rubronegras: escárnio, ironia, espanto, gozação, incredulidade. Tudo menos a alegria de poder contar novamente no elenco com um jogador que apesar da idade ainda é o melhor meia-atacante autêntico (o tal do camisa 10, lembram-se?) em atividade no futebol brasileiro.

Kleber Leite se desentendeu com o vice-presidente Delair Drumbosky (é assim mesmo que se escreve?) responsável pela transação com Petkovic e acabou deixando o clube após mais de “trezentos” anos pintando e bordando no departamento de futebol rubro-negro, embora saibamos, que essa foi mais uma armação do megalomaníaco para voltar como todo poderoso nas eleições de dezembro. Tomara que não dê certo.

Junto com Kleber, foi-se também Cuca, que depois de tentar queimar o craque de todas as maneiras, graças aos céus foi espalhar sua burrice e depressão mórbida noutras paragens.

Petkovic é responsável por essa reviravolta do “Mais querido” no Brasileirão. De mero coadjuvante na era Cuca, o Flamengo nesse atual estágio do campeonato se sente no direito de sonhar com vôos mais altos. Campeão Brasileiro, porque não?

A frieza de Petkovic diante do imbecil do Rogério Ceni na segunda cobrança do pênalti no jogo contra o São Paulo e a maneira como ele conduziu o Flamengo àquela virada espetacular deixando a ‘Nação Rubronegra” em puro êxtase, foi um dos momentos mais incríveis e emocionantes de minha trajetória como apaixonado pelo Mengão. E foi uma partida que pode ter sido apenas mais uma, se o Flamengo não conseguir chegar pelo menos a Libertadores. Mas pra mim, independente do que venha acontecer daqui pra frente, ela será sempre inesquecível. Nesse jogo, Petkovic não teve a oportunidade de sair antes do final para ser novamente aplaudido de pé pela torcida, porque as três substituições já haviam sido efetuadas. Ele chegou ao fim daquela atuação memorável correndo como um garoto para garantir a vitória do seu time do coração.

Apesar de ter dado a volta por cima e calado a boca dos seus críticos, em nenhum momento dessa nova trajetória Petkovic deixou transparecer qualquer resquício de rancor ou de soberba em suas entrevistas. Muito pelo contrário. Ele tem demonstrado uma humildade contagiante. Humildade essa que poderia respingar um pouco em Bruno e Adriano. Bruno com a tarja de capitão e Adriano com a camisa 10, deveriam chegar para o sérvio e passá-las às suas mãos solene e humildemente: “Toma que ela é tua! Você merece!”.

Por tulio 2 comentários


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