SEM MEDO DE SER PT

Por tulio em 1 novembro, 2010 as 11:47



Eu escrevi esse texto, que continua atualíssimo, para a edição de Novembro de 2006 da revista Papangu logo após a vitória de Lula em cima de Alckmim. Não vou nem me dar ao trabalho de mudar nomes e números. Isso fica a critério de vocês.

SEM MEDO DE SER PT

O Brasil, onde grande parte da imprensa é tendenciosa e manipulada pelas Organizações Globo, família Civita (Editora Abril), Folha de São Paulo, Estadão e outros órgãos de menor expressão, é o único país do mundo em que um candidato que consegue 46.662.365 votos, contra 39.968.369 do segundo colocado, sai derrotado de uma eleição. Parece brincadeira, mas foi esse o espetáculo que nos foi apresentado ao final do primeiro turno da eleição presidencial.

Os principais articulistas políticos, os editoriais dos grandes jornais e os noticiários do Rádio e TV, sempre a serviço da campanha tucano-pefelista, não perderam tempo em trombetear a “grande vitória” de Geraldo Alckmin nas eleições de 1º outubro, numa clara manobra de tentar minar o entusiasmo da militância petista e dos eleitores de Lula. O bancário licenciado Alexandre Garcia, só faltou sair dando “saltitos” de alegria, quando finalmente pôde noticiar que haveria segundo turno. A revista Veja não perdeu tempo e logo estampou em uma de suas capas uma foto do tucano com o título: “O desafiante” e espalhou em milhares de outdoors por esse Brasil afora, numa clara afronta à Legislação Eleitoral.

Essa mesma imprensa hipócrita, também proclamou às vésperas da eleição (primeiro turno), como numa espécie de “Crônica de uma morte anunciada”, o fim do Partido dos Trabalhadores. Pois esse partido em frangalhos, como eles gostavam de alardear, elegeu 5 governadores (sendo quatro no primeiro turno) e mais 3 dentro da coligação. E esse “ex-partido” foi também responsável por um dos maiores “pé na bunda” que se tem notícia na política brasileira, ao derrotar o cacique baiano ACM em seus próprios domínios ainda no primeiro turno.

O Partido dos Trabalhadores, que pela vontade do presidente do PFL Jorge “Nós Vamos Banir Essa Raça do Congresso” Bonhausen seria extirpado do Congresso Nacional, conseguiu manter a sua bancada de 82 deputados na Câmara e elegeu mais 2 senadores. Como se pôde constatar, a vontade do povo brasileiro é bem diferente da vontade do neonazista pefêlista. O PFL, esse sim, é que tem que começar a se preocupar com o próprio tamanho, pois corre sérios riscos de se tornar mais um nanico dentro do cenário político brasileiro. Espero que encolha até chegar ao tamanho de figuras insignificantes como o são o seu presidente Bonhausen, José Agripino, José Jorge, Heráclito Fortes, ACM, ACM Neto e tantos outros.

Do primeiro debate após o primeiro turno na TV Bandeirantes, aquele em que o bom samaritano e messiânico Geraldo Alckmin deixou cair a máscara e mostrou ao Brasil a sua verdadeira personalidade – pernóstica e preconceituosa como a corja que o cerca -, a oposição saiu cantando vitória e enaltecendo a performance do seu candidato. Bastante agressiva, como eles fizeram questão de frisar. A primeira pesquisa após esse debate, os trouxe de volta a realidade. O eleitor não engoliu o “verdadeiro” Alckmin e a partir daí o que se viu foi uma subida vertiginosa do presidente Lula até chegar à vitória esmagadora do dia 29 de Outubro.

Completamente grogue depois do direto no queixo aplicado pelo povo brasileiro, que a cada nova pesquisa divulgada confirmava e ampliava a sua tendência de voto no candidato petista e vendo os seus planos de retomada do poder a qualquer custo indo por água abaixo, a oposição tucano-pefelista tentou de todas as maneiras antever um clima de ingovernabilidade no país, caso Lula fosse reeleito.

Às vésperas do segundo turno (quinta-feira, 26/10), na tentativa de criar um fato novo (já que o assunto “dossiê” havia se esgotado) que pudesse mudar o rumo das eleições, alguns juristas e membros da Academia Brasileira de Direito Constitucional, surgiram do nada com uma tal de “Carta de Compromisso com a Constituição da República Federativa do Povo” em que os dois candidatos ao assinar se comprometeriam em caso de eleitos, a não convocar uma nova Assembléia Constituinte. Pura balela. Mais uma artimanha oposicionista, montada em conluio com a grande imprensa.

Alckmin foi rápido no gatilho e assinou logo o documento. O ato pomposo, é claro, teve ampla cobertura e repercussão na mídia, que não teve escrúpulos em noticiar: “Geraldo Alckmin se comprometeu a não convocar uma nova Assembléia Constituinte. O presidente Lula não”. Lula depois deu sua explicação para a não assinatura no documento: “O Presidente da República não tem competência ou autoridade para convocar uma Assembléia Constituinte. Isso é uma atribuição do Congresso Nacional. E se o Congresso de uma hora para outra resolve convocar essa Constituinte? Como é que eu fico?”. Nada mais claro e lógico. Foi mais um tiro n’água da campanha oposicionista e que não alterou em um milímetro a ascensão de Lula ao seu segundo mandato.

Se o susto da não vitória no primeiro turno, chegou a provocar uma certa decepção, a campanha do segundo turno serviu para trazer a militância aguerrida e participativa de volta às ruas e as atividades do partido. Foi como no dito popular: “Cutucaram a onça com vara curta”. E quem jamais teve medo de ser PT, continuou a exibir a velha estrela no peito. Com todo orgulho.

Os acachapantes 58.295.042 (60,83%) de votos de Lula, contra 37.543.178 (39,17%) de Alckmin ao final da eleição, consagraram definitivamente a força e a vontade do eleitor brasileiro em manter o projeto petista de inclusão social por mais quatro anos. Para desgosto de muitos.

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Categoria ELEIÇÕES 2010+ Opiniões

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