A MÃO E O BRAÇO DE DEUS
Por tulio em 21 junho, 2010 as 16:14
A Argentina até hoje reverencia o gol de mão que Maradona fez na vitória sobre a Inglaterra por 2 a 1, pelas quartas de final da Copa do Mundo de 1986. O próprio Maradona declarou após a partida que o gol havia sido marcado “un poco con la cabeza y un poco con la mano de Dios”. A partir daí esse gol ficou batizado como a “mão de Deus” e se tornou uma das principais peças do portfólio de malandragens de Maradona.
O Brasil a partir de ontem já pode se orgulhar de exibir em sua histórica participação em mundiais, um gol digno da mais pura malandragem brasileira. Até então, o supra sumo dessa virtude brasileira, era o pênalti contra o Brasil que Nilton Santos transformou em falta fora da área na vitória por 2 a 1 contra a Espanha na Copa de 1962.
Sob as vistas do panaca francês Stephane Lannoy, Luis Fabiano ajeitou a bola com a mão e depois com o braço antes de marcar o segundo gol brasileiro na Costa do Marfim. Belo gol não fosse irregular. Mas isso é apenas um detalhe. Ganhar roubado é sempre mais gostoso para os éticos padrões futebolísticos brasileiros. “Babão” Bueno achou lindo: “foi só uma mãozinha de nada”. E ainda tem “neguim” indignado com a arrumada de mão de Henry para o gol que classificou a França para a Copa da África do Sul.
O Sr. Lannoy ainda saiu rindo ao lado de Luis Fabiano após validar o gol, fazendo gestos como se perguntasse se ele havia dominado a bola com o braço ou com o peito. Ridículo.
Plagiando Maradona, Luis Fabiano também evocou entidades sobrenaturais para definir o seu gol: “Foi uma mão santa involuntária. O que vale mais foi a pintura do gol”. Maradona foi mais original.
Tags:A MÃO DE DEUS, ARGENTINA, COPA DE 1986, COSTA DO MARFIM, DROGBA, DUNGA, ELANO, KAKA, LA MANO DE DIOS, LUIS FABIANO, MARADONA, seleção brasileira
Categoria Copa do Mundo 2010+ Futebol Internacional

2 Comentários for A MÃO E O BRAÇO DE DEUS
1.
Sergio | junho 21st, 2010 as 23:56
Não quero ser ácido com o Brasil, mas estive presente no primeiro jogo e dava dó ver que Michel Bastos e Maicon não subiam para apoiar, permanecendo sempre atrás da linha que divide o campo, como se estivessem jogando contra a Argentina.
Futebol feio, sem lógica. Parece que não conseguem executar uma simples jogada de toque e ultrapassagem, tão comum aos argentinos e tão praticada pelo grandioso Flamengo de Zico, Júnior e Adílio.
Será que foram os jogadores que emburreceram?
Contra a Costa do Marfim, um jogo mais ou menos, com lampejos individuais de Kaka e Luis Fabiano.
Impende salientar que não aprovo o que Maradona fez, mas quando ele proferiu a frase “Mano de Dios” o fez em um contexto de pós-guerra entre Inglaterra e Argentina. Aquele jogo representou uma espécie de vingança da Argentina contra seus algozes no campo de batalha.
Infelizmente, como tem gente ignorante que quer colocar toda a farinha no mesmo saco.
Lamentável, Marco Tulio, mas a África do Sul está muuito a frente em estrutura, tanto em estádios como em cidades. Muita limpeza nas ruas, construções incríveis, a começar pelo Aeroporto, que deixa qualquer um dos nossos no chinelo.
E ainda tem idiota que acha que o Brasil é centro do mundo.
Voltando à Copa, tudo indica uma final entre Brasil, de jogadores fortes e decisivos contra Argentina do futebol clássico, mas nem sempre vitorioso. Resultado imprevisível.
Uma coisa eu acho positiva nessa seleção brasileira. No geral, eles não se acham os melhores de todos os tempos. Parecem ter consciência de suas limitações e isso é um bom sinal. Um indício de que a era do oba-oba em cima de pseudo-craques terminou.
Prefiro um time mais limitado e consciente disso do que um time que pensa ser mais do que é, como foi o Brasil nos últimos mundiais.
Ao menos estão sendo mais honestos.
2.
denise | junho 22nd, 2010 as 20:59
Galvão Bueno e dá náusea. No mais o time brasileiro é a cara dessa copa: frio, sem sal, um time de meros resultados. Daqueles que jogam para ganhar de 1×0 todos os jogos e assim conquistar o hexa. Pra mim isso é lixo. A verdade é que até agora não senti empolgação nesse time. Vitórias sem sabor. Sem alegria genuína. O segundo jogo foi um pouco melhor do que o primeiro mas não senti nenhuma emoção. Não sei se o problema é comigo, ou se é esse futebol de pouco espetáculo. A maioria dos jogos que assisti me deram um baita tédio.
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