OS PECADOS DE ANDRADE
Por tulio em 26 abril, 2010 as 16:52
Andrade era o único treinador do mundo, que tinha uma bandeira com o seu rosto estampado tremulando nos estádios em dias de jogos. A torcida do Flamengo sempre teve um certo pudor em vaiá-lo.
Não existe alegria maior para uma torcida, do que conquistar um título importante como um hexa Campeonato Brasileiro, tendo a frente da equipe um dos seus maiores ídolos.
E Andrade é o meu ídolo, ídolo de uma geração, ídolo de uma nação. O Flamengo jamais terá um volante com a qualidade de Andrade. Andrade era tão refinado, que no futebol que se pratica hoje em dia no Brasil e no mundo, ele deixaria de ser volante e passaria a atuar como meia de armação. Seria o camisa 10 – pelo menos na função – em qualquer equipe que jogasse. E com certeza daria conta do recado e muito bem.
Após deixar os gramados, nunca deixou de freqüentar a Gávea. Treinou todas as categorias das divisões de base e nos últimos dez anos foi auxiliar técnico de todos os treinadores que passaram pelo Flamengo sendo interino inúmeras vezes. Funcionário de carteira e de carreira exemplar, nunca teve o seu trabalho devidamente reconhecido.
Uma conjunção de fatores levou o Flamengo à inesperada e fantástica conquista do hexa brasileiro sob o seu comando.
Tudo deu certo naquela ocasião: as contratações de Álvaro e Maldonado e a fixação de Airton a frente da linha de zaga, atuando às vezes como terceiro zagueiro, arrumaram de vez a defesa do Flamengo, que a certa altura do Brasileirão chegou a ser a mais vazada do campeonato. No meio de campo, Petkovic, que veio a contragosto de tudo e de todos, se transformou no maestro da equipe e com atuações espetaculares em jogos fundamentais acabou se tornando um dos principais responsáveis pela conquista do título. Zé Roberto voltou a jogar seu bom futebol da época de Botafogo e Adriano no auge de sua motivação, fez gols decisivos e acabou como artilheiro do campeonato, embora já nas últimas rodadas tenha começado a se envolver com problemas extra-campo (a tal da bolha assassina) ficando fora de algumas partidas importantes.
Andrade sentiu que aquele era o momento de se valorizar e começar a conquistar sua independência financeira. Nada mais justo. A renovação do seu contrato foi aquela novela que todos já conhecem. As conversas com o vice de futebol Marcos Braz não foram nada amistosas. Enfim houve a renovação, mas com ela veio todo o desgaste de uma negociação conturbada.
Ele conseguiu o reconhecimento financeiro tão sonhado, mas ao mesmo tempo fechou os olhos para os problemas disciplinares que vinham desde 2009 e que o título conseguiu mascarar.
A partir do início da temporada, ele deveria ter imposto seus métodos de trabalho (se é que havia algum) e usado da sua autoridade de “comandante em chefe” da comissão técnica para acabar com os privilégios e desmandos que haviam se instalado na Gávea. No entanto, ao contrário, ele continuou colocando panos quentes em tudo de errado que acontecia no Departamento de Futebol rubronegro e ainda teve que agüentar a oficialização das regalias da dupla Adriano e Vágner Love, estabelecidas pelo diretor de futebol Marcos Braz.
As confusões extra campo, por mais que ele insistisse “que estava tudo bem”, “que tudo no Flamengo é supervalorizado”, “que o grupo está unido (mesmo após os tapas de Bruno em Petkovic)”, refletiram dentro de campo.
O nível técnico ridículo do Campeonato Carioca encobriu nos jogos contra os times “nanicos” o péssimo futebol que o Flamengo vinha – ou vem – jogando em 2010. A prova é tanta, que em duas decisões (uma semifinal e uma final de turno) contra o limitadíssimo Botafogo de Joel Santana, o Flamengo saiu derrotado. A classificação na “bacia das almas” na Libertadores também deixou evidente o baixo nível técnico da equipe de Andrade.
E ele insistia em afirmar nas entrevistas pós jogo que a equipe vinha jogando bem, embora os resultados nunca traduzissem isso. O Flamengo de Andrade era – e continua sendo – uma bagunça dentro e fora de campo.
Enfim, a era Andrade chega ao fim no Flamengo bem antes do que se esperava. Do que eu esperava. A sua falta de pulso na condução desse elenco cheio de estrelas, de “barangas” metidas a besta, de jogadores sem compromisso com o “Manto Sagrado”, levaram o ídolo rubronegro à demissão.
De resto, é esperar que a presidenta consiga colocar o Flamengo novamente nos eixos e o transforme num clube que volte a merecer o respeito e o carinho do torcedor.
De cara, ela deveria começar com a demissão sumária da “turma da batucada” no vestiário.
E boa sorte para Andrade aonde ele for.
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Categoria Brasileirão+ Futebol Internacional+ Futebol Nacional+ Libertadores

4 Comentários for OS PECADOS DE ANDRADE
1.
Sergio | abril 26th, 2010 as 21:17
Pois é, Marco Tulio, mas a “turma da batucada” está bem respaldada por contratos milionários e por bons patrocinadores.
Portanto, ela pouco pode fazer. No mais, ela tentou trazer um técnico e acabou dando uma oportunidade ao Rogério “Capitão Furacão”. Porém, ainda fico com um pé atrás, pois vi que Rogério é remanescente da equipe de Andrade e que fora trazido por Marcos Braz. Ademais, a seleção sub-20 treinada por Rogério conseguiu ter um dos piores desempenhos que já vi numa disputa de pênaltis ano passado.
Por enquanto, prefiro aguardar quarta-feira para tirar conclusões.
Estou torcendo para que Rogério tenha liberdade para trabalhar e entenda que Pet nao é banco para Michael nem para Pacheco.
2.
Allan Patrício | abril 27th, 2010 as 12:10
Querido Marco,
Estou entristecido com a zona que se transformou o Flamengo após o título brasileiro, que não sei sinceramente, se a nossa Presidenta terá possibilidade de reorganizá-lo.
Seria preciso parar por um tempo, varrer a casa, jogar fora o que não presta ou não serve mais e recomeçar.
Mas, não sei se isso é possível, talvez seja impossível e, sendo assim, temos que continuar nosso drama, aguardando quem sabe, mais um daqueles milagres de São Judas Tadeu.
3.
LUIZ ANTONIO | abril 27th, 2010 as 16:26
Primo véi,
Existe um ditado no meio da engenharia, um pouco maldoso até, que diz “não dê cabimento a peão” (trabalhador braçal) , que por muito tempo não segui por manutenção de ideologias humanitárias achando que contribuiria para os processos relacionais entre empregados. Como resultado, sempre “dei com os burros n’água”. Aprendi a priorizar, sem truculência porém incondicionalmente, a cobrança do cumprimento de obrigações em detrimento da manutenção da imagem de “gente boa”. Não que comandados tenham que ser subjugados, mas é importante que o estabelecimento de obrigações, de procedimentos trabalhistas, do cumprimentos de obrigações, do respeito à hierarquia e de outros parâmetros que regem a convivência no trabalho seja respeitado.
No futebol esse ditado vale, com mais intensidade até, trocando o “peão” pelo “jogador”, e ainda há um agravante: os egos inflados e mega salários de alguns jogadores fracos no quesito disciplina, praticamente o impedem de serem comandados pelos seus técnicos.
Acho que faltou isso ao Andrade: Comando. Pulso. Estabelecimento de um relacionamento onde existe distinção de papéis entre comandante e comandados, ou seja, a coisa corria frouxa demais no flamengo. Já que houve um “marco zero” quando o flamengo resolveu contratá-lo efetivament com o técnico, ele deveria ter “calçado a sandália do comandante” para consumar o fato de ser de fato e de direito o comandante do time. Não é a toa que alguns, repito alguns treinadores são chamados por seus treinados de comandante.
Futebol tem que ser alegre, mas alegria verdadeira, não alegria vã, falsa. Não alegria engraçada, mas sim alegria poética, graciosa. Alegria que não precisa de malícia ou de festas ou batucadas no ambiente de trabalho para mostrar a alegria de ser rubro-negro.
Sinceramente (os colegas Vascaínos que me perdoem) hoje ou torço para que todos os clubes do Brasil evoluam (inclusive o c.r. flamengo) para que possamos usufruir dos bem benefícios advindos de trabalhos sérios
Teu mengo é, indiscutivelmente, uma instituição vitoriosa, uma das mais vitoriosas do planeta, e por isso mesmo tem a obrigação de manter a seriedade institucional avaliando permanentemente o desempenho e disciplina dos seus jogadores. Jogador é empregado. Empregado tem que cumprir horário, “bater ponto”, cuidar da saúde, da imagem do clube. O flamengo está dando um péssimo exemplo a jogadores de ego inflado, que ao invés de serem chamados e vistos como craques deveriam ser tratados como diz o ditado dos engenheiros linha dura, ou seja, são “peões” que expiram cuidados rigorosos no seu comportamento e desempenho de funções.
(dia 12/06 “tô na área”. Se derrubar é pênalti. Se não derrubar mas encostar, eu simulo o penal. Ehehehehe).
4.
LUIZ ANTONIO | abril 27th, 2010 as 16:29
Vixe.
Agore que eu vi que o texto ficou grande demais.
Foi mal aê.
Dia 12 hein…
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