PETKOVIC: ARTE E HUMILDADE

Por tulio em 16 outubro, 2009 as 14:42

Nunca um jogador foi vítima de tanta desconfiança, quanto Petkovic nesse seu retorno ao Flamengo, através de um acordo trabalhista pra lá de esquisito, que é melhor nem tentar explicar.

O regresso do craque ao clube onde brilhou e virou ídolo no início da década, ao invés de ser festejado provocou reações das mais diversas em meio às hostes rubronegras: escárnio, ironia, espanto, gozação, incredulidade. Tudo menos a alegria de poder contar novamente no elenco com um jogador que apesar da idade ainda é o melhor meia-atacante autêntico (o tal do camisa 10, lembram-se?) em atividade no futebol brasileiro.

Kleber Leite se desentendeu com o vice-presidente Delair Drumbosky (é assim mesmo que se escreve?) responsável pela transação com Petkovic e acabou deixando o clube após mais de “trezentos” anos pintando e bordando no departamento de futebol rubro-negro, embora saibamos, que essa foi mais uma armação do megalomaníaco para voltar como todo poderoso nas eleições de dezembro. Tomara que não dê certo.

Junto com Kleber, foi-se também Cuca, que depois de tentar queimar o craque de todas as maneiras, graças aos céus foi espalhar sua burrice e depressão mórbida noutras paragens.

Petkovic é responsável por essa reviravolta do “Mais querido” no Brasileirão. De mero coadjuvante na era Cuca, o Flamengo nesse atual estágio do campeonato se sente no direito de sonhar com vôos mais altos. Campeão Brasileiro, porque não?

A frieza de Petkovic diante do imbecil do Rogério Ceni na segunda cobrança do pênalti no jogo contra o São Paulo e a maneira como ele conduziu o Flamengo àquela virada espetacular deixando a ‘Nação Rubronegra” em puro êxtase, foi um dos momentos mais incríveis e emocionantes de minha trajetória como apaixonado pelo Mengão. E foi uma partida que pode ter sido apenas mais uma, se o Flamengo não conseguir chegar pelo menos a Libertadores. Mas pra mim, independente do que venha acontecer daqui pra frente, ela será sempre inesquecível. Nesse jogo, Petkovic não teve a oportunidade de sair antes do final para ser novamente aplaudido de pé pela torcida, porque as três substituições já haviam sido efetuadas. Ele chegou ao fim daquela atuação memorável correndo como um garoto para garantir a vitória do seu time do coração.

Apesar de ter dado a volta por cima e calado a boca dos seus críticos, em nenhum momento dessa nova trajetória Petkovic deixou transparecer qualquer resquício de rancor ou de soberba em suas entrevistas. Muito pelo contrário. Ele tem demonstrado uma humildade contagiante. Humildade essa que poderia respingar um pouco em Bruno e Adriano. Bruno com a tarja de capitão e Adriano com a camisa 10, deveriam chegar para o sérvio e passá-las às suas mãos solene e humildemente: “Toma que ela é tua! Você merece!”.

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Categoria Brasileirão+ Futebol Nacional+ Opiniões

2 Comentários for PETKOVIC: ARTE E HUMILDADE

  • 1. Sergio  |  outubro 17th, 2009 as 10:44

    Brilhante, Marco Tulio. Descobri seu blog e já havia comentado antes sobre o Pet por aqui com meu nickname.
    O Pet é um jogador extraordinário, desde o Vitória que o acompanho. Infelizmente, colocaram ele para fora do Flamengo 7 anos atrás.
    Boa parte da mídia sempre preferiu destacar outros jogadores, talvez por poderem vestir a camisa da seleção brasileira e renderem mais lucros.
    Foi assim com Edílson, Denílson, Alex, que Pet colocou no banco em sua primeira passagem pelo Fla, entre outros.
    Hoje a gente liga a TV e vê programas que ficam mostrando a vida de jogadores novos, brasileiros, geralmente com nomes compostos, tipo “Carlos Eduardo” ou “Cláudio Renato”,kkkk, que não jogaram nada em seus clubes de origem mas contam com um aparato empresarial gigantesco por trás, sendo rapidamente negociados para a Europa que compra qualquer coisa desde que tenha nome.
    Pet, tivesse jogado um copa, estaria ao lado ou acima de Zidane na hierarquia do futebol recente.
    Um craque completo, bom em todos os fundamentos, mas que é menos badalado pela midia do que Rogério Ceni. Incrível.
    Quanto à camisa dez, essa todos sabem que é do Pet, sendo inclusive um pedido do Zico. Por uma votação pela internet, Adriano deveria vestir a “9″, mas a diretoria acabou mandando a dez pra ele, talvez para minimizar o Pet.
    Nada de novidade, foi assim com ele no Flamengo em sua primeira passagem, onde era substiuído jogando mais que os outros e foi assim no Fluminense onde teve que jogar e dar show com a “8″ até o Felipe ser suspenso.
    Marco Tulio, parabéns pelo blog, pois você entende muito de futebol e sua visão crítica sobre assuntos gerais, é muito divertida.
    Continue assim, mas divulge mais o seu blog, pois aqui é uma ilha de inteligência em um mar de mediocridade.
    Grande abraço.

  • 2. Allan Patrício  |  outubro 17th, 2009 as 22:39

    Tulião,

    Sensacional análise de um torcedor apaixonado!

    Concordo com suas palavras e ratifico a idéia de que o Sérvio, juntamente com Andrade tem dado um ar muito mais humilde ao Flamengo, coisa que eu sentia falta há muito tempo.

    Caso Adriano consiga ao menos “andar” contra o Palmeiras, aposto em uma vitória Rubro-Negra e avanço rumo à Libertadores.

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