O “BOLO” E A BOLA

Por tulio em 29 abril, 2009 as 09:30

Ronaldo nunca foi “Fenômeno” no Brasil. Construiu sua carreira e sua fama no futebol europeu. Foi o primeiro brasileiro a ser praticamente “criado” no estrangeiro. Romário, seu antecessor mais imediato, fez grande sucesso no Brasil, foi pra Europa, onde também se deu muito bem e voltou para o Brasil a tempo de fazer um périplo por Flamengo, Fluminense e Vasco até encerrar a carreira quase que na marra.

Agora, quando já parecia inutilizado para o futebol, depois de mais uma contusão séria e de outra cirurgia também muito séria no joelho, Ronaldo voltou ao futebol brasileiro e o torcedor – principalmente o corintiano que vive um momento de puro êxtase – acostumado a vê-lo somente pela TV, em jogos da seleção e dos clubes europeus por onde passou, agora tem o prazer de curtir “in loco” as jogadas e os gols fenomenais do “Balofo”.

Os dois gols que Ronaldo marcou contra os Santos foram antológicos e simbolizam essa sua nova característica, desenvolvida para suprir a falta de mobilidade e o excesso de peso. Gols rápidos. O mínimo de toques na bola e finalizações precisas. Até no gol que fez contra o São Paulo, quando ganhou na corrida do zagueiro Rodrigo, ele foi “econômico”. Logo que vislumbrou a possibilidade do arremate, ele deixou o goleiro sem pai nem mãe. Noutros tempos, teria entrado com bola e tudo.

Eu nunca duvidei da qualidade de Ronaldo. Ele foi – e pelo andar da carruagem ainda pode voltar a ser – o melhor atacante do mundo. Duvidei sim – eu e mais uns 90% da população brasileira – que depois de sua última contusão, de sua fase de travestis e de lutador de sumô, ele voltasse a jogar futebol com alto grau de competição. Queimei minha língua – e acabei perdendo uma garrafa de Vale Verde por causa disso – e aí está o que diferencia o craque do perna de pau e do jogador comum. O craque se reinventa. Se não dá de um jeito, vai de outro. Foi assim com Romário, que jogou até os 40 anos e se quisesse teria jogado mais uns 5. Júnior também jogou até os 40. Cícero Ramalho, falando sério, também.

Vem aí o Campeonato Brasileiro, teste de fogo para “Ronalducho”, onde ele vai ter que provar que realmente voltou a jogar futebol competitivo e com qualidade. Isto se não voltar para a Europa logo após o Campeonato Paulista. O “bafafá” por lá tá grande depois dos últimos gols que ele fez em gramados brasileiros.

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Categoria Futebol Nacional+ Opiniões

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